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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DICA CULTURAL

TEATRO
Vestido De Noiva

'Vestido de Noiva': as memórias de Alaíde se mesclam às alucinações
Gabriela Fontana e Lavínia Pannunzio (no fundo): Nelson Rodrigues renovado (Foto: Marcelo Villas Boas)

Resenha por Dirceu Alves Jr.Em 28 de dezembro de 2013, a peça de Nelson Rodrigues completa setenta anos. Marco do moderno teatro brasileiro, a montagem apresentava uma fragmentada estrutura em três planos — realidade, alucinação e memória — encenada pelo polonês Ziembinski. Desde então, o drama se transformou em desafio para os diretores, sobretudo pela dificuldade de levá-lo ao palco com clareza e criatividade. Eric Lenate traz renovações à dramaturgia aliadas a um visual contemporâneo. Alaíde (Gabriela Fontana) é uma jovem de classe média, casada com Pedro (Jorge Emil), que, depois de ser vítima de um atropelamento, vasculha o passado com a ajuda da cafetina Madame Clessi (Lavínia Pannunzio). Dividida entre a moral burguesa e a curiosidade mundana, ela descobre em sua irmã, Lúcia (a atriz Luciana Caruso), a principal rival. Entre os recursos usados por Lenate estão a concentração da maior parte da ação do presente em um filme projetado sob o ponto de vista de Alaíde e a fusão da alucinação e da memória praticamente no mesmo plano. Os personagens ganham contornos amplos. Gabriela interpreta uma Alaíde à beira da histeria, aliviando assim Lúcia do título de única vilã. Mais irônica, a Clessi de Lavínia surge equilibrada, com a função de levar o espectador ao questionamento sobre as virtudes e os pecados de cada um. A principal qualidade da peça, no entanto, é a nítida busca por desvendar caminhos ainda possíveis sem descaracterizar a trama. Estreou em 20/9/2013. Até 15/12/2013.

Até 15 de dezembroTeatro do Núcleo ExperimentalSexta e sábado, 21h; domingo, 19h.A bilheteria abre uma hora antes.Ingresso: R$ 30,00



Tribo
Guilherme Magon, Eliete Cigaarini, Bruno Fagundes, Arieta Corrêa, Maíra Dvorek e Antonio Fagundes: dificuldade para se comunicar
 Guilherme Magon, Eliete Cigaarini, Bruno Fagundes, Arieta Corrêa, Maíra Dvorek e Antonio Fagundes: dificuldade para se comunicar (Foto: João Caldas )

Resenha por Dirceu Alves Jr.
Na comédia dramática Vermelho (2012), Antonio Fagundes apresentou o filho Bruno, hoje com 24 anos, ofcialmente ao público. Naquela trama, um consagrado artista plástico e o jovem assistente viviam confitos, em um inevitável jogo de espelhos. Menos de três meses depois do fim da turnê do espetáculo, a dupla estreia a perturbadora e divertida comédia Tribos, escrita pela inglesa Nina Raine e dirigida por Ulysses Cruz. Está explícito que a energia juvenil de Bruno contaminou o pai a ponto de fazê-lo apostar em uma encenação moderna, com um elenco numeroso e sem protagonismos, capaz de dialogar com diferentes gerações. Billy (papel de Bruno) nasceu surdo em uma família pouco convencional em que todos podem ouvir. Os pais politicamente incorretos (vividos por Fagundes e Eliete Cigaarini) o criaram em um casulo e não se conformam com a dependência dos outros dois flhos (Guilherme Magon e Maíra Dvorek). A situação se desestabiliza de vez quando Billy se apaixona por Silvia (a atriz Arieta Corrêa), uma garota que começa a ensurdecer depois de adulta. Com diálogos afados e repletos de acidez, o texto é estruturado em nove cenas que abordam a surdez metafórica nas relações pessoais. Como sempre, Fagundes brilha ao aproveitar o histrionismo do personagem, e Bruno mostra potencial na pele do defciente auditivo em busca de identidade. Sobressai também Guilherme Magon. O ator investe em uma sutil interiorização para fortalecer o irmão deprimido de Billy. Estreou em 14/9/2013. Até 15/12/2013.


Até 15 de dezembro
Rua Monte Alegre, 1024 - Perdizes - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3124 9600
Sexta e sábado, 21h30; domingo, 18h.
Bilheteria: 15h/20h (terça a quinta); a partir das 15h (sexta a domingo). Estacionamento (R$ 6,00 a primeira hora).
Sexta e domingo: R$ 50,00
Sábado: R$ 60,00


Contrações
Débora e Yara: interpretações são o trunfo da montagem
Débora e Yara: interpretações são o trunfo da montagem (Foto: Rodrigo Hypólito)

Resenha por Dirceu Alves Jr.
Dá gosto ver Débora Falabella no palco. Estrela das novelas da Rede Globo, ela poderia desfrutar das férias na emissora dedicando-se a qualquer outra atividade, como boa parte de seus colegas costuma fazer. Mas Débora é uma atriz também de teatro e prefere estar no palco. Durante o mês de setembro, o seu Grupo 3, completado pela atriz e diretora Yara de Novaes e pelo diretor e pesquisador Gabriel Fontes Paiva, ocupou o Teatro Sérgio Cardoso com três espetáculos, A Serpente, O Continente Negro e O Amor e Outros Estranhos Rumores. A estreia da tragicomédiaContrações no Centro Cultural Banco do Brasil vai além de mostrar um trabalho inédito. Sob a direção de Grace Passô, a montagem do Grupo 3 traz para o público um bom espetáculo, apoiado em uma temática contemporânea, de opções estéticas arrojadas – algumas discutíveis – e de diálogo acessível ao público.
Escrito pelo inglês Mike Bartlett, o texto foi encenado por Zé Henrique de Paula sob o título de O Contrato em 2011. Se a leitura anterior privilegiava os diálogos sarcásticos e tinha o ator Sergio Mastropasqua e a atriz Renata Calmon como a dupla principal, a atual montagem foge de qualquer realismo para representar essa visão autoritária do mundo corporativo. O fato de ser protagonizado por duas mulheres, como manda o original, amplia as possibilidades de leituras, inclusive a do espelhamento entre as duas. Yara de Novaes interpretada a gerente linha-dura, que, um belo dia, faz um alerta para uma de suas funcionárias, a jovem e eficiente Emma (papel de Débora): não é permitida nenhuma relação sentimental ou sexual entre colegas de trabalho. Em sucessivos encontros, o abuso de poder e as tentativas de manipulação da superior em relação à empregada só tomam tintas mais fortes e, em situações que beiram o absurdo, a chefe testa até que ponto Emma é capaz de segurar o vale-tudo capitalista.
No bate-bola de interpretações, Débora é mais interiorizada e transmite as surpresas, raiva e abnegação da personagem. Ela investe no olhar e na transformação da postura e, aos poucos, vai ficando curvada e com os movimentos mais lentos. Em contrapartida, Yara esbanja uma intensidade crescente, principalmente por explorar mais a voz e reforçar o caráter amargo e a vilania da personagem. Contradições perde fôlego em propostas abstratas de direção – uma das marcas de Grace Passô –, como a ideia do prólogo e as excessivas cenas da personagem Emma tocando na bateria. Na primeira vez, fica evidente a boa sacada. Depois, é pura repetição. O equilíbrio das interpretações, no entanto, é o grande trunfo da encenação e prova que, mesmo em um palco vazio, o efeito não seria menor. Estreou em 19/10/2013. Até 9/12/2013.


Até 09 de dezembro

Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3113 3651
Segunda, 20h; sábado, 17h30h e 20h; domingo, 18h.
Bilheteria: 9h/20h (segunda a domingo). Local da apresentação: Teatro.
Ingresso: R$ 10,00


CINEMA
Belos Dias
'Os Belos Dias': Laurent Lafitte e Fanny Ardant, romance sem julgamentos

Resenha por Miguel Barbieri Jr.
Caroline (Fanny Ardant) tem 60 anos, duas filhas na faixa dos 30, é casada e dentista aposentada. Além de ter perdido a melhor amiga para o câncer meses atrás, seu cotidiano caiu na mesmice. Ela começa a frequentar um clube da terceira idade e acaba sentindo atração por Julien (Laurent Laftte), um jovem professor de informática. O cara corresponde com beijos, amassos e sexo casual. Ele está a fim de uma aventura. Caroline, por sua vez, redescobriu a paixão nos braços de um homem com idade para ser seu filho. A diretora Marion Vernoux acerta no tom do romance. Não há julgamentos morais e, sim, uma prudente reflexão sobre o desgaste das relações conjugais e a descoberta de novos prazeres numa faixa etária na qual muitos entregam os pontos. Luminosa numa cabeleira loira, a classuda Fanny Ardant, viúva do cineasta François Truffaut (1932–1984), encontra aqui um papel que, sem cair na vulgaridade, irradia felicidade pelas ruas de Dunquerque, no norte da França. Estreou em 11/10/2013.

Horários e salas - Até 14 de novembro

Avenida Paulista, 900 - Bela Vista - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3287 3529
Legendado
Sala 1
16h25, 20h, 21h40


Serra Pelada
'Serra pelada': pôster do filme


Resenha por Miguel Barbieri Jr.
A competente produção de época e o trabalho dos atores sobressaem nessa visão do diretor Heitor Dhalia (À Deriva) para o maior garimpo da história. Serra Pelada foi recriada com ricos detalhes, incluindo imagens de arquivo e até cenas de Os Trapalhões na Serra Pelada, de 1982. No drama, que tem início em 1980, os amigos de infância Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) saem de São Paulo em busca de ouro no sul do Pará. Embora inseparáveis, eles não possuem muitas coisas em comum. Juliano, ex-boxeador, resolve os problemas com os miolos quentes, enquanto o reservado Joaquim perdeu o emprego de professor e, certinho, tem uma esposa à espera do primeiro filho. Não demora muito para eles comprarem o próprio espaço de exploração e contratar garimpeiros para  o serviço pesado. A riqueza, contudo, vai causar uma traumática separação. Além da fulgurante interpretação de Cazarré (em um de seus melhores momentos no cinema), Sophie Charlotte mostra-se um arraso de sensualidade na pele de uma ex-prostituta. Sem arriscar numa visão mais autoral, Dhalia, também um dos roteiristas, faz um filme comedido na ambição e redondo no acabamento. Estreou em 18/10/2013.
Horários e salas - Até 14 de novembro

Avenida Regente Feijó, 1759 - Vila Regente Feijó - São Paulo - SP - Tel.: (11) 2164 7790
Nacional
Sala 4
13h10, 17h30, 21h50
OBS:  Consulte o link do site, o filme está sendo exibido em várias salas de cinema. Com certeza haverá mais perto de você.




ESPECIAIS
É grátis
Mostras, passeios e peças são algumas das opções.

A Madrinha Embriagada

Atrizes do musical 'A Madrinha Embriagada'


Resenha por Milena Emilião
Um musical dentro de uma comédia. A definição dos autores Bob Martin e Don Mc Kellar revela-se igualmente perfeita para a versão brasileira do espetáculo, adaptada com brilho pelo também diretor Miguel Falabella. Ambientada na São Paulo dos anos 20, a trama divertida e simples traz uma madrinha (a travessa Stella Miranda) contratada para pajear uma atriz (Sara Sarres) às vésperas do casamento. Enquanto a história se passa, um narrador (papel de Ivan Parente) explica à plateia alguns truques usados no musical. Ele chega a interromper a montagem para mostrar, por exemplo, que os esquetes feitos com as cortinas fechadas servem para trocar os cenários entre um ato e outro. Esses momentos fazem o público rir. Falabella homenageia no texto alguns intérpretes brasileiros importantes — caso da corista cômica vivida por Kiara Sasso, uma referência à atriz Eva Todor. O elenco reúne ao todo 25 integrantes, entre eles Saulo Vasconcelos, Paula Capovilla e Andrezza Massei. Estreou em 17/8/2013. Até 29/6/2014.

Preste atenção... nos belos figurinos criados pelo estilista Fause Haten.

Garanta seu lugar: os ingressos ficam disponíveis sempre a partir do dia 20 do mês anterior.
Até 29 de junho


Avenida Paulista, 1313 - Bela Vista - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3146 7406
Quarta a sexta, 21h; sábado, 16h e 21h; domingo, 19h.
Reserva de ingressos pelo site www.sesisp.org.br/ingressomadrinha. Os ingressos remanescentes serão distribuídos no dia do espetáculo na bilheteria a partir das 13h (quarta a sábado) e das 11h (domingo).
Ingresso: Grátis




Exposições › Infantil
Mais de Mil Brinquedos para a Criança Brasileira

<p> Brinquedo da série "Brincando na rua", 2013, de Mestre Saúba</p>

Resenha por Bruna Ribeiro
A mostra Mais de Mil Brinquedos para a Criança Brasileira mexe com a memória dos adultos e encanta as crianças. Entre os 6.000 objetos há itens que datam da década de 30 até os dias atuais. As curadoras Renata Meirelles e Gandhy Piorski reuniram brinquedos artesanais, eletrônicos e de coleções particulares que ocupam uma área de 2.000 metros quadrados. Vera Hamburger cuidou da cenografia e da direção de arte. Para (tentar) não perder nenhum detalhe, o ideal é visitar a exposição seguindo os cinco espaços temáticos. O Mínimo e as Mãos exibe miniaturas feitas por artesãos, como a obra Parque de Diversões, do Mestre Molina, que foi colaborador do Sesc e responsável pela confecção de peças para a unidade da Pompeia de 1986 a 1998. A criação traz gangorra, carrossel e roda-gigante pequeninos. A seção As Mãos e a Vontade mata a curiosidade de quem quer saber como funciona um brinquedo por dentro. Não deixe de passar pelos carros, trens e autômatos da área Ânima e Mecanismos. Em Imagem e Similitude, chama atenção uma boneca grega do século V a.C. feita de barro, assim como as populares Fofolete e Moranguinho. Por fim, Tecnologias de Voo representa uma pista de pouso e decolagem, com foguetes, petecas, aviões e pipas. Até 2/2/2014.
Até 02 de fevereiro

Rua Clélia, 93 - Água Branca - São Paulo - SP - Tel.: (11) 3871 7700
Terça a domingo e feriados, 10h às 19h.
Recomendado a partir de 3 anos.
Entrada: Grátis



ESPORTES

Ciclovia da Marginal Pinheiros

<p> Ciclovia da Marginal Pinheiros funciona diariamente</p>
Ciclovia da Marginal Pinheiros (Foto: Adriano Vizoni) ABRE TODOS OS DIAS

Resenha por Marcus Oliveira
Paralela à Linha 9 – Esmeralda, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a ciclovia que margeia o Rio Pinheiros possui 21 quilômetros. Os ciclistas contam com cinco acessos: estações Santo Amaro, Jurubatuba e Vila Olímpia, Ponte Cidade Universitária e Avenida Miguel Yunes (altura do número 300). O trajeto receberá até novembro mais 2,8 quilômetros e pretende atender 15 000 pessoas. Diariamente, 5h30 às 18h30. Grátis.

Bares bacanas para curtir no centro
Do clássico Bar Brahma a endereços descolados como os novos JazzB e Purgatorium 90, endereços na região central que valem uma visita

<p> O ambiente escuro: ponto de encontro de descolados</p>



A região central agrupa casas bacanas para quem quer dividir um petisco entre amigos ou tomar um chopinho gelado. Que tal aproveitar uma caminhada pela vizinhança para conhecer, por exemplo, o icônico Bar Brahma, o mais famoso botequim da cidade? A poucos metros dali, aliás, fica outro cartão de visitas paulistano, o Bar Léo, que depois de alguns meses fechado, em 2012, voltou a ter um chope caprichado.